Que bom para ti.
Neste encontro diário com o belo, perco o caminho com o compromisso. De ser algo que ainda acho que devo ser, mas que acredito que não sou.
Eis-te agora nesse pedido desesperado de que te oiçam. De que exista, afinal, algo possível de ser dito, alguma ação a ser tomada, uma atitude perante a frustração. Mas tu não sabes o que estás a destruir. Por isso nada do que agrides realmente alcança um lugar de dor.
Estar com o outro. Sem destruir o tempo. O nosso tempo. Só necessidade. Agora podes sair. Quero ficar a sós.
Obcessivamente pensando no que crias.
E o que destróis? Bem sabes como importa.
Julga a previsibilidade como um esclarecido mapa astral, só que os dados estão errados.
Afinal não é de ti que falo, mas de outro desconhecido.
Aprendo a caminhar, rastejando.
Procuro na lama, como numa mina.
Aqui só existe o despovoamento da esperança.
Encontrar. Encontrei. A solidão.
Escrevo para queimar.
Só assim a carta não te vai chegar marcada com a insignificância da minha caligrafia.
Frágil, de tão ridícula.
Tudo que escrevi. Sei que não irias compreender. E isso é combustível que baste.
Choro. Não de tristeza. Apenas e só porque compreendo e sinto.
Felizmente a rejeição ainda me é estranha, especialmente quando a sinto.
Depois fiquei aqui. No mesmo lugar.
Levar alegria ao escombro.
Rir com vontade enquanto a água acalma a visão.
O abismo do desespero convida à simples queda.
Tão livre o vento. Tão cruel o impacto final.
Correr, correr, correr. Ser capaz de sentir o vento de outras formas.
"Dei-te o meu amor antes que tu mo pedisses."
William Shakespeare